sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Entre histórias, identidades e afetos: vivências pedagógicas de Laura e Thauan.




 
Atividade Cobra Grande: 

A atividade desenvolvida no âmbito do PIBID teve como eixo central a contação da história A Grande Cobra, presente no livro Puratig: o remo sagrado. A partir dessa narrativa de origem indígena, buscamos proporcionar às crianças um momento de escuta, imaginação e reflexão, valorizando saberes que fazem parte da constituição histórica e cultural do Brasil, mas que ainda são pouco explorados no cotidiano escolar.

Durante a contação da história, as crianças foram convidadas a sentar em roda, criando um espaço de acolhimento e atenção coletiva. Esse momento favoreceu não apenas o envolvimento com a narrativa, mas também o desenvolvimento da oralidade, da escuta sensível e do respeito ao outro. As histórias indígenas, ao trazerem elementos da natureza, da ancestralidade e da relação entre os seres, permitem que as crianças compreendam o mundo de forma mais integrada, reconhecendo a importância do equilíbrio, do cuidado e do pertencimento.

Após a contação, a proposta se estendeu para uma atividade artística, na qual as crianças puderam representar elementos da história, como a grande cobra e a floresta. Esse momento foi fundamental para que elas expressassem, por meio do desenho e da colagem, suas interpretações e sentimentos em relação à narrativa. A atividade manual também contribuiu para o desenvolvimento da coordenação motora, da criatividade e da autonomia, respeitando o tempo e a forma de expressão de cada criança.

Do ponto de vista pedagógico, a experiência reforça a importância de trabalhar as histórias indígenas brasileiras desde a infância, não apenas como conteúdo curricular, mas como um compromisso ético com uma educação que valoriza a diversidade cultural e combate estereótipos. Inserir essas narrativas na escola é reconhecer os povos indígenas como produtores de conhecimento, cultura e história viva, e não apenas como personagens do passado.

Mais do que contar uma história, essa atividade permitiu semear o respeito, a curiosidade e o encantamento. Ao ouvir a história da Grande Cobra, as crianças entraram em contato com outros modos de ver o mundo, aprendendo que existem muitas formas de viver, narrar e compreender a vida. Assim, a escola se reafirma como um espaço de construção de sentidos, onde a imaginação caminha junto com a formação humana, crítica e sensível.




Atividade “Cada Mão, Um Cachinho”

Para a realização da atividade, criamos uma história sobre uma menina que não tinha cabelo e se sentia triste, pois achava que era diferente das outras crianças. Ao longo da história, a menina se comparava com os colegas e acreditava que precisava ter um cabelo igual ao de “fulano” ou de “você” para ser bonita e feliz.

Durante a contação, conversamos com as crianças e perguntamos o que elas poderiam fazer para ajudar essa menina a se sentir melhor. A partir das respostas, fomos explicando que existem vários tipos de cabelo, que todos são bonitos e que ninguém precisa ser igual ao outro.

Em seguida, partimos para a atividade prática. Cada criança utilizou tinta nas mãos para carimbar ao redor da cabeça da personagem, formando os “cachinhos”. A proposta era que cada mão representasse um tipo de cabelo, mostrando que o cabelo pode ser diferente, mas continua sendo bonito.

Enquanto realizavam a atividade, as crianças foram estimuladas a participar, observar e interagir, desenvolvendo a coordenação motora, a criatividade e a autoexpressão, além de reforçar valores como respeito, empatia e valorização das diferenças.

Ao final, retomamos a história e conversamos sobre o resultado, reforçando a ideia de que todos são únicos e especiais, independentemente do tipo de cabelo.






Atividade de Encerramento: 

Como atividade de encerramento, propusemos um momento simples, mas carregado de significado: a confecção e pintura de corações. A proposta foi pensada como um convite para conversar com as crianças sobre o final do ano, os encerramentos que fazem parte da vida e, principalmente, sobre os sentimentos que construímos ao longo desse percurso coletivo. Em um cotidiano escolar muitas vezes marcado pela pressa, parar para falar de afeto, alegria e vínculos também é um gesto pedagógico.

Durante a atividade, dialogamos com as crianças sobre o que viveram ao longo do ano, as brincadeiras, as aprendizagens, as amizades e os momentos compartilhados. Pintar os corações tornou-se, assim, uma forma concreta de expressar emoções que ainda estão em construção, respeitando a linguagem própria da infância. Cada traço, cada escolha de cor, carregava um pouco da vivência individual e coletiva daquele grupo.

Do ponto de vista pedagógico, esse momento reforça a importância de compreender a educação infantil como um espaço de formação integral, onde o desenvolvimento emocional e social é tão relevante quanto os conteúdos formais. Trabalhar o encerramento do ano com sensibilidade contribui para que as crianças aprendam, desde cedo, a lidar com ciclos, despedidas e transformações, entendendo que todo fim também carrega a possibilidade de novos começos.

A atividade também evidenciou o papel do professor como mediador de afetos e significados. Ao acolher as falas, os silêncios e as expressões das crianças, criamos um ambiente de segurança emocional, no qual elas se sentiram pertencentes e valorizadas. Esse cuidado é fundamental para a construção de uma relação positiva com a escola e com o aprender.

Encerrar o ano pintando corações foi, acima de tudo, uma forma de reafirmar que a educação se faz com presença, escuta e afeto. Entre cores, sorrisos e pequenos gestos, ficou a certeza de que o amor, o respeito e a alegria cultivados ao longo do ano permanecem como marcas que acompanham cada criança em sua trajetória. Afinal, educar também é ensinar a sentir, a lembrar e a cuidar do que foi vivido.

Um comentário:

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