No dia 09 de abril foi realizada a
segunda intervenção com o tema “Escrita de conhecimentos prévios sobre África”,
que como o próprio nome diz, teve como base os registros de seus conhecimentos
prévios acerca do continente africano que foram descritos por textos e
desenhos. Os alunos que dominam a escrita, fizeram textos ou descreveram
elementos sobre o continente, e os que ainda não dominam a escrita, fizeram
desenhos para evidenciar seus conhecimentos.
Após explicação sobre a atividade,
distribuímos folhas de ofício para cada estudante e tiramos as dúvidas que
surgiram de imediato. Ao decorrer da intervenção, os alunos tiveram dificuldades
para fazer seus registros, o que nos espantou um pouco, saber que muitos não
tinham bagagem alguma de conhecimentos sobre África nos fez perceber que ainda
há faltas no currículo estudantil e ensinar sobre a origem dos povos que ajudaram
a fundar este país é de extrema importância, pois a Lei 10.639/2003 não está
sendo cumprida efetivamente.
Todos participaram da atividade,
mesmo com todas as dificuldades, conseguiram realizar boas escritas e desenhos
que representam o continente. Alguns descreveram muito bem sobre o tema, outros
conseguiram apenas informações genéricas, enquanto uma parte não conseguiu
desenvolver nada, apenas com o auxílio dos mediadores. Os registros foram sobre
diversos assuntos, países e suas características, culturas, culinária, fauna,
flora, esportes, religiões, dentre outros.
Alguns momentos nos fez refletir
muito, como o fato de uma das alunas preferir não falar sobre seus desenhos, e
ao perguntarmos de forma particular e respeitosa sobre, citou envergonhada que
seus registros representavam Maria Navalha e Seu Zé Pilintra, ali já estava
explicito que não era vergonha, mas medo de falar sobre entidades que fazem
parte da religião que ela cultua e ser retalhada com repreensões desnecessárias
que geralmente pessoas que são de religiões provenientes de matrizes africanas vivenciam
cotidianamente.
Ao final da atividade, como de
costume, sentiram vontade de apresentar suas obras, e fizeram de forma
excelente. Alguns alunos com necessidades específicas tiveram vergonha de se expor
para a turma, mas os mediadores com cuidado e incentivo os acompanhou na frente
e os ajudou a apresentar seus desenhos. Os demais fizeram leituras e explicaram
o que haviam desenhado e poucos preferiram não apresentar.
Essa atividade foi de extrema
importância para conseguirmos compreender que é nosso dever enquanto educador
quebrar esses estereótipos que ainda existem e resistem, e ao resistir, germina
o racismo, e ele cresce, cria mais raízes e seus frutos apodrecem a humanidade.
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